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Diário de Filmagens

Diário de Filmagem – 19/12/15 – 20h19

Filmar nos finais de semana é comum no cinema. Normalmente, num longa-metragem são seis dias de trabalho, seguido por um dia de descanso. A diária típica é de 10 horas no set, ou 12 horas “porta a porta”, contando uma hora de deslocamento na ida e na volta. E tem mais: raramente o dia de descanso é num fim de semana. Em BIO, nossa folga foi numa quarta. Pra quem acha que o mundo do cinema é feito somente de glamour e diversão, esses fatos talvez sejam decepcionantes. Bem-vindo ao cinema de verdade! Também é comum que, devido a circunstâncias imprevistas, a diária passe das 10 horas (o que ainda não aconteceu em BIO). Nesse caso, a produção negocia com a equipe uma compensação, diminuindo a carga horária de uma diária próxima.

Resumindo, é trabalho duro, com um objetivo claro a ser perseguido: cumprir o que está no cronograma. Por isso eu costumo dizer para estudantes que se dizem “apaixonados pelo cinema”: “Vocês não vão namorar com ele. É melhor se preparar para uma relação profissional, e não para um casamento.” O que não impede, é claro, que a paixão exista. E também não impede que haja glamour e diversão. O primeiro, fabricado artificialmente com todas as ferramentas possíveis. A segunda, derivada naturalmente das relações pessoais que vão se estabelecendo no dia a dia do set, entre motoristas, eletricistas, maquinistas, o pessoal da alimentação, os assistentes de produção, o elenco, a equipe técnica e artística.

Neste sabadão, trabalhamos muito (e nos divertimos nos intervalos) para fabricar glamour. De manhã, filmamos uma cena do epílogo com a personagem interpretada pela atriz Nadine de Oliveira. Nadine iniciou sua carreira no curta “Amores passageiros”, de Augusto Canani. Ela fazia o papel de um cadáver. Um cadáver jovem e atraente, mas um cadáver. Depois, no curta “Folha em branco”, de Iuli Gerbase, ela passou para o mundo dos vivos, interpretando uma garota que fica presa num elevador com um entregador de pizza. Em BIO ela faz uma atriz carioca. A cena do epílogo envolve desejo e sedução. Como sempre, vocês ficam somente com o close. No filme, garanto, há muito mais. No começo da tarde, fizemos a entrevista com Nadine, que – gaúcha morando no Rio há algum tempo – teve que dosar os seus “esses” e “erres” interestaduais para encontrar a carioquice necessária, mas sem exageros. A diferença visual da Nadine do epílogo à entrevista é um bom exemplo do poder transformador do cinema.

À tarde foi a vez de nos divertirmos com o charme e o talento de Deborah Finocchiaro. Experiente, segura e muito bem-humorada, Deborah é sempre garantia de uma interpretação ao gosto do diretor. Ela sabe como poucas (e poucos) dosar o nível da interpretação. Quer realismo? Pede pra Deborah. Quer fantasia? Pede pra Deborah. Ela está fazendo sucesso nos palcos há alguns anos, e deveria ter feito muito mais filmes em sua carreira. Em BIO, vive uma produtora e preparadora de elenco, ou seja, alguém que trabalha descobrindo e lapidando talentos. Filmamos em aproximadamente uma hora e meia, sem maiores percalços, e ainda improvisamos bastante. E pronto! Tava todo mundo cansado. Quem vai se atrever a ir pra noite e enfiar o pé na jaca? Amanhã, domingo, oito e meia da manhã, saberemos… Quer fazer cinema? Te prepara: alguns fins de semana da tua vida vão mudar.

 

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